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O corpo é um espelho pensante




"Cecília Meireles disse de sua avó – que foi quem a educou: 'O seu corpo era um espelho pensante do universo'."

"Minha estrela é a educação. Educar não é ensinar matemática, física, química, geografia, português. Essas coisas podem ser aprendidas nos livros e nos computadores. Dispensam a presença do educador. Educar é outra coisa. De um educador pode-se dizer o que Cecília Meireles disse de sua avó – que foi quem a educou: “O seu corpo era um espelho pensante do universo”. O educador é um corpo cheio de mundos.... A primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O mundo é maravilhoso, está cheio de coisas assombrosas. Zaratustra ria vendo borboletas e bolhas de sabão. A Adélia ria vendo tanajuras em vôo e um pé de mato que dava flor amarela. Eu rio vendo conchas, teias de aranha e pipocas estourando... Quem vê bem nunca fica entediado com a vida. O educador aponta e sorri – e contempla os olhos do discípulo. Quando seus olhos sorriem, ele se sente feliz. Estão vendo a mesma coisa. Quando digo que minha paixão é a educação estou dizendo que desejo ter a alegria de ver os olhos dos meus discípulos, especialmente os olhos das crianças."

Rubem Alves

meditação: apenas observe


“Se você quer mesmo se mover em direção ao Real, comece dedicando pelo menos uma hora do seu dia para ficar consigo mesmo. Nessa uma hora, feche os olhos, desligue-se do mundo exterior e, somente observe os pensamentos, as emoções, as sensações - deixe passar. Você é o céu que observa as nuvens. As nuvens sempre são passageiras. As nuvens de pensamentos, de emoções, de sensações... Não importa de onde elas vêm, para onde elas vão. Apenas observe. Quando puder observar aquilo que é transitório sem se identificar, você terá encontrado uma saída desse labirinto.” Sri Prem Baba

Prashant Iyengar abre as portas para a meditação


Portal decorado na entrada do Gandhi National Memorial, que fica no Aga Khan Palace. Perto do rio Mula, este palácio foi construído no ano de 1892 pelo Sultão Mohammad Shah Aga Khan III, em Pune. Abrigou Mahatama Gandhi, sua esposa Kasturba Gandhi e seu secretário Mahadev Desai, lá internados de 09 de agosto de 1942 a 6 de Maio de 1944, após o lançamento do movimento Quit India. Kasturba Gandhi e Mahadev Desai morreram durante o seu período de cativeiro no palácio e tiveram ali seus Samadhis. Mahatama Gandhi e Kasturba Gandhi têm seus memoriais localizados no mesmo complexo, que foi doado ao Estado da Índia em 1969.     

Terça-feira, 13 de agosto de 2013. RIMYI . Prashant’s Class . 7h – 9h


Tentarei reproduzir a fala de Prashantiji da aula de hoje. Tarefa difícil, dada sua pronúncia da língua inglesa. O sotaque indiano é difícil pra nós ocidentais, e Prashant fala rápido. Partilhando com outros praticantes presentes neste mês de agosto no Instituto, descubro que não é só comigo: boa parte nos escapa. Talvez após um ano frequentando as aulas dia após dia, quem sabe?
Pra quem não escuta com cuidado, parece que nosso professor está sempre falando a mesma coisa. Grosso modo sim, ele está. Há alguns dias venho pensando: parece lavagem cerebral. E eis que Prashant hoje usou este termo ‘lavagem cerebral’, literalmente. Trata-se de um Siddhi? Prashanti lê nossa mente? Escuta nossos questionamentos internos?
Bem, de fato o que ele quer é a raiz do conceito de Yoga / Yoj penetrando em nossas entranhas. Sabe que o que viemos aqui buscar é beber água da fonte. Prashant está sim se remetendo ao mesmo assunto dia após dia: a essência do Yoga. Com palavras diferentes, metáforas inusitadas, nuances inexploradas. Sabe que nosso caminho para a evolução é infinito, e que se seguimos retornando às suas aulas é porque ainda queremos penetrar mais em nossas camadas. Ele quer nos impregnar deste conceito para que possamos atravessar a arrebentação das ondas mentais e mergulhar no que vem além.
Percebo então um fenômeno interessante: muitas vezes quando Prashat está discursando entre um Asana e outro, algo mais forte que minha vontade acontece: meus olhos vão deixando de focalizar a imagem do professor que vai ficando embaçada, e o que resta é sua voz. Tento voltar a focar mas logo meus olhos parecem de novo atravessá-lo ou, porque não dizer, retornar do encontro com o professor diretamente pra dentro de mim. Estão abertos, mas voltados pra dentro, como se sua voz viesse de minhas profundezas. Como se fossem ecos de reminiscências. Mágica? Não. Meditação.

Nas palavras do mestre:

“Veja como consegue trabalhar com o sua mente-corpo-respiração. Veja onde consegue chegar. Quão profunda, quão abrangente, quão sabiamente você consegue trabalhar. Há alguma compreensão? Há entendimento profundo? O que vem daí?
Fique na permanência do Asana. Siga no processo. Exale e vá mais longe. Exale e vá além disso. Exale e faça Uddiyana. Não estou falando de um Bandha, mas de um Kriya. Asana, uddiyana, respiração, inteligência, mente. Como você consegue com sua mente-corpo-respiração trabalhar neste Kriya? O que este Kriya lhe traz? Em que estado coloca sua mente? Como sua mente vê seu corpo? Como seu corpo vê sua respiração? Como sua respiração vê sua mente?
Alguém que alcança proficiência, não necessariamente alcança maturidade. Proficiência é técnica. Maturidade está além da técnica, mas inclui a técnica. Como é que você usa seu laptop? Como Osama Bin Laden usa o Laptop dele? Como cada um usa sua tecnologia é que faz a diferença. Isto é maturidade.”

Yoga no dia-a-dia




Compartilho aqui um belo texto que encontrei hoje no site do professor Carlos Eduardo Gonzales Barbosa, que ensina cultura sânscrita e Yoga.

“O objetivo do Yoga é moksha, liberdade. O autoconhecimento (Brahmavidya) é a chave para nos libertar do sofrimento que a ignorância (avidya) sobre quem realmente somos nos faz sentir […]
A iluminação é o reconhecimento. É nos reconhecermos como o Ser (brahman). O estado de Yoga é o estado natural do Ser. Enquanto yogis no caminho de auto-realização entramos e saímos deste estado. Assim é como nos diz o velho e sempre atual texto da Katha Upanishad: ‘Quando os cinco sentidos e a mente estão parados, e a própria razão descansa em silêncio, começa o caminho supremo. Esta firmeza calma dos sentidos chama-se Yoga. Mas deve-se estar atento, pois o Yoga vem e vai.’
Arrisco dizer que é relativamente fácil vivenciarmos este estado durante a meditação, em cima do tapetinho, ou quando contemplamos a natureza; difícil é se manter neste estado no cotidiano, nas relações que temos que viver na sociedade, no cumprimento das nossas responsabilidades (vyavahara).
O verdadeiro sádhana é quando procuramos aplicar na vida aquilo que estudamos e aprendemos em sala no tapetinho. Nosso desafio como yogi sincero é refletir a atitude de Yoga em cada coisa que fazemos, a cada segundo que vivemos. Do contrário, continuaremos sendo os mesmos tolos de sempre, longe da auto-realização.
Ao assumir a ocupação de instrutor de Yoga não significa que já somos sábios realizados. Ensinando aos outros também estamos repetindo para nós mesmos o ensinamento, pois precisamos estar ouvindo sempre, nos mantendo no trilho da senda e é assim que nos tornamos um meio de transmissão desta tradição (parámpará). Espera-se do instrutor que passemos adiante o ensinamento sem deturpações nem invencionices, com coerência, honestidade, clareza e sinceridade. O dharma do professor é buscar sua realização e ajudar os outros a se realizarem.
Meu amigo Tales Nunes sabiamente afirmou em seu livro, intitulado “O Yoga e o Ser”, que “o maior ato que se pode fazer a si próprio é a ajuda aos outros”. Nós, yogis, inclusive professores, não somos santos, nem pessoas perfeitas. Temos defeitos e erramos como qualquer ser humano. Mas o importante é que podemos despertar em nós o que temos de melhor, de mais útil aos outros e ao todo. Igualmente, cultivamos nos nossos alunos o que eles têm de mais sublime para oferecer ao bem comum, sendo esse um dos nossos papeis na sociedade.”

O propósito do yoga e o papel do professor. VILAS BÔAS, A. Em http://yogaforum.org. 17/05/2011

Yoga contra os males da Menopausa, uma pesquisa realizada por médicos da Unifesp.



Foto: Curso Yoga para Mulheres: Saber Ancestral na Vida Urbana, com Fabiana Rodrigues, no espaço Fundamental Yoga, dezembro de 2012.






Ufa! Já não era sem tempo! O que já é popularmente sabido há milênios pelos indianos começa a ser respeitado de uma forma relativamente mais abrangente aqui no Ocidente quando alguma instituição de pesquisa científica faz experimentos com voluntários, questionários, testes e comprovações. Mesmo assim chego a me emocionar assistindo à parcela da comunidade médica brasileira que antes resistia, finalmente se "entregar, confiar e agradecer" (preceito do Professor Hermógenes, um dos precursores nos anos 60 do Yoga no Brasil) à sabedoria milenar do Yoga. Parece que há luz no fim do túnel para a medicina "oficial" ensinada quase que como única verdade (só ela era absoluta, pois comprovada) de nossas universidades e praticada na maioria esmagadora de nossos hospitais. Estarão estes felizmente a RE-LIGAREM-SE à sua razão de ser: promover a saúde, ao invés de somente curar  doenças?  

A saúde geral do corpo-mente-alma pode ser muito próspera durante o climatério e a menopausa. E mais, esta pode se tornar uma das fases mais férteis da sua vida, como muitas mulheres têm relatado, por conta da maturidade alcançada. Segundo esta pesquisa recente da Unifesp, desconfortos causados pelo climatério e a menopausa podem chegar a zero com a prática de Yogasanas, Pranayama e meditação. Segundo Marcelo Csermak, pesquisador da Unifesp sobre os efeitos da meditação para um climatério e menopausa saudáveis, “não despertar mais à noite, dormir mais do que cinco ou seis horas, ter sono regenerador e qualidade de vida melhorada, diminuição de stress e ansiedade” são parte do conjunto de resultados alcançados com as voluntárias do programa. “O que nos deixa muito feliz, pois compreendemos que temos uma técnica dentro da gente que é fácil, barata e simples, que se aplicada de forma constante pode ter benefícios para toda a saúde”, diz Marcelo.

As voluntárias eram mulheres que sofriam com toda a sorte de clássicos sintomas de desequilíbrio endócrino característicos da transição para a menopausa, e se comprometeram em não utilizar nenhum outro tipo de tratamento durante o experimento. Alguns de seus sintomas freqüentes eram: dor-de-cabeça, ondas de calor, ansiedade, insônia e, em alguns casos, melancolia e depressão. 

A prática do Yoga tem seu poder afirmado nesta pesquisa juntamente com a da meditação, que afirma que “por meio destas técnicas de concentração e introspecção as mulheres entram em contato com o Sagrado, de acordo com a fé de cada uma. Hoje percebemos que a espiritualidade e a fé são muito importantes na melhoria da qualidade de vida e de muitos aspectos relacionados à saúde”, segundo Ruy Ferreira Afonso, outro pesquisador da Unifesp.

Para muitas mulheres, o que era um sonho aparentemente impossível torna-se agora parte da vida cotidiana: esquecer-se do fantasma da menopausa como um desconfortável e pesado fardo a ser carregado por nosso gênero. Com uma energia vital próspera e vibrante, os horizontes (externos e internos) estarão sempre abertos.

Ao tomar conhecimento desta pesquisa ocorrendo dentro da Unifesp, sinto alegre o caldo desta cultura engrossando, e fico grata e contente com toda a energia que tenho investido em minha pesquisa com o projeto YOGA PARA MULHERES: SABER ANCESTRAL NA VIDA URBANA, que inclui jornada de aulas especiais desde 2011 e a publicação do GUIA PRÁTICO YOGA PARA MULHERES, com sequências acessíveis para todos os níveis de praticantes que queiram aprender como administrar suas oscilações hormonais com Yoga. Por coincidência temos justamente neste próximo sábado uma aula relativa ao tema menopausa. Espero poder contribuir para o plantio desta sementinha de consciência nas mulheres, e o reconhecimento de que a luz no fim do túnel na verdade está brilhando dentro de nós.


Assista a matéria realizada pela Globo Tv na íntegra clicando aqui

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